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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ivan Illich




"É na liberdade universal de palavra, de reunião e de informação que consiste a virtude educativa"


Ivan Illich nasceu em Viena no ano de 1926 e faleceu em Bremen, na Alemanha em Dezembro de 2002. Filho de pai jugoslavo e mãe com ascendência judia, teve de abandonar a Áustria quando tinha cinco anos. A família mudou-se para Roma, onde Illich completou os seus estudos: física (Florença), filosofia e teologia (Roma) e doutoramento em História (Salzburgo). Durante a infância e juventude conviveu com o círculo de nobres russos que se refugiaram na capital italiana depois de terem saído do seu país aquando da revolução comunista de 1917. Foi também em Roma que Illich entrou para o seminário (1951), onde teve como colegas muitos dos futuros diplomatas do Vaticano e onde se ordenou sacerdote. O Cardeal Spellman, arcebispo de Nova Iorque, convidou-o para seu auxiliar. Por ser fluente em dez línguas, Illich tornou-se intérprete do Cardeal e teve como função preparar sacerdotes e religiosas para a comunidade hispano-americana. Nos anos 60 mudou-se para o México onde criou o Centro Intercultural de Formação (CIF), com o objectivo de sensibilizar missionários para trabalhar na América Latina. Na década de 70 foi co-fundador do Centro de Informação e Documentação (CIDOC), espécie de universidade aberta, especialmente voltada para os problemas da educação e independência cultural do Terceiro Mundo, sobretudo da América Latina.

A partir de 1980, dividiu o seu tempo entre o México, os Estados Unidos e a Alemanha. Nos últimos anos de sua vida, Illich foi professor convidado de filosofia, de ciência, tecnologia e sociedade no estado da Pensilvânia, sendo também docente na Universidade de Bremen onde morreu no dia 2 de Dezembro de 2002.

Segundo Illich, o actual sistema educativo converteu-se num sistema burocrático, hierarquizado e manipulador, tendo como função primordial a reprodução e o controlo das relações económicas. Por toda a parte, o aluno é levado a acreditar que só um aumento de produção é capaz de conduzir a uma vida melhor. Deste modo se instala o hábito do consumo dos bens e dos serviços, que nega a expressão individual, que aliena, que leva a reconhecer as classes e as hierarquias impostas pelas instituições(Illich, 1974, pp.9). Os alunos estão sujeitos a currículos extensos e repetitivos, dados de forma demasiado rápida e superficial. Os professores, já habituados a esta rotina, não dão a possibilidade de aprofundar um ou outro tema que mais interesse os alunos, nem são capazes de atender às necessidades específicas de cada aluno. A escola passa assim a ser um local de desigualdades e de conflitos, uma vez que alguns se adaptarão melhor do que outros.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

21 Desescolarização.

Resumo de Fundamentos da Educação, ref. Ivan Illich, Sociedade sem escolas p. 153

1.Crítica à escola

Com a estrutura sistemática, e as normas a serem cumpridas, a escola se transforma hoje, em uma "prisão", um meio de manter escravos, que são todos aqueles que têm direito à um bom futuro. Algo irônico isso, mas não passa de realidade. A sociedade mantêm uma visão da escola como o único lugar onde se pode aprender, educar, e tornar-se humano. Essa ideologia faz do indivíduo que não tem condições de frequentá-la, inferior.
A escola refere-se principalmente ás crianças, pois, é na infância que se impõem mais facilmente regras a serem cumpridas e assim muito mais fácil de mantê-las em seu desenvolver, mesmo que a escola se refira á esse modo militarizado como um meio de aprender a crescer. Illich afirma que não é na escola que as crianças aprendem, e sim que a maior parte do aprendizado ocorre fora dela.
A escola é vista com "bons olhos" mesmo sem precisar esconder a sua hierarquia. Os alunos estão na escola "para" conhecer o mundo, enquanto os afasta dele, fazendo-os cumprir horários, e desenvolver respeito e por um lado, medo dos professores.

"Nossa sociedade produtivista e burocratizada reduz o indivíduo á consumidor passivo, Illich acusa a escola de ser cúmplice desse estado de coisas, pois ajuda a alimentar o mito do progresso, da competência e do consumo".