
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Benefic kiss


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O Chá
O chá é tradicionalmente usado, nos seus países de origem, como uma bebida benéfica à saúde em vários aspectos.
Recentemente, cientistas têm-se dedicado aos estudos dos efeitos do chá sobre o organismo, bem como conhecer melhor as substâncias que promovem esses efeitos.
Alguns estudos já demonstraram que o chá preto é eficaz como antioxidante e neuroestimulante, tendo sido aplicado em estudos contra o cancro e a epilepsia. E o que chá verde demonstra propriedades músculo-relaxantes, com efeitos sobre a hipertensão e ulcerações no aparelho digestivo.
Segundo alguns textos ligados à medicina natural e ao mundo da ervanária, existem alguns chás e infusões que podem aliviar certos tipos de mal-estar.
No entanto, há que ter em conta que todos os tipos de chá são ricos em cafeína e saponinas que, quando ingeridas em excesso podem causar danos no organismo.
Tradicionalmente, o chá está dividido em três categorias principais: Preto, Verde e Oolong, diferenciando-se pelo processamento das folhas.
Esta classificação está relacionada ao chá preparado com folhas da Camelia sinensis, a verdadeira planta do chá. Dentro de cada uma das categorias, há diversas misturas mais ou menos conhecidas, como o Pekoe, Darjeeling ou Ceilão.
O chá branco foi introduzido recentemente no mercado português dos chás, sendo feito igualmente a partir da Camellia sinensis, mas cujas folhas são tratadas de forma diferente dos chás tradicionais.
Lapsang Soushong - Um chá para os conhecedores, de folha grande, com um aroma “fumado”, muito característico. Exclusivo da China.
Jasmim - Servido tradicionalmente com ou após as refeições, especialmente Dim-Sum. Chá exótico, verde, perfumado com flores de jasmim.
Gunpowder - Nome estranho que deriva da forma como as folhas são enroladas formando bolinhas (pólvora). Chá verde tradicional, pálido, contendo menos cafeína do que qualquer outro chá. É o chá verde mais forte que se usa na Europa.
Keemun - Chá preto tradicional, óptimo para servir durante a refeição.
Yunnan - Chá de cor clara e brilhante. Sabor delicado.
Rose Pouchong - Chá delicado, perfumado com pétalas de rosa.
China Caravan - Um lote feito de chás Keemun. O nome deriva do facto de que costumava ser transportado por camelos ao longo da “Rota das Caravanas” vindas da China.
Puerh - Um antigo chá chinês apreciado pelo seu rico sabor e propriedades medicinais. É talvez o mais misterioso de todos os chás, sendo o processo de fabricação um segredo bem guardado.
Russian Caravan- Uma excelente mistura de chás Oolong da China e Formosa. Óptimo para tomar à tarde ou à noite.
Assam - Chá com o seu próprio símbolo, proveniente da província indiana do mesmo nome. Chá forte, de cor viva e aroma maltado, muito apreciado.
Darjeeling - Chá indiano, cultivado a uns 2 mil metros de altitude no sopé dos Himalaias, muito apreciado pelo seu sabor delicado, agradável a qualquer hora.
Nilgiri- Chá indiano, com o seu próprio símbolo, tal como os anteriores. Cultivado nas montanhas azuis do Sul da Índia. Sabor forte e perfumado.
Ceilão - Os chás do Ceilão, cultivados nas regiões altas do Sri Lanka, são utilizados principalmente para lotes. O melhor chama-se Dimbula. Todos são excelentes, leves e de bom sabor.
Sencha - O mais popular no Japão.
Gyokuro - O chá mais fino, colhido à mão, à sombra. Líquido verde. Rico em aminoácidos e clorofila.
Bancha - Qualidade mais inferior.
Hojicha - Obtém-se torrando dois chás de qualidade inferior, o Boncha e o Sencha.
Matcha- Chá preferido para a cerimónia do chá. Trata-se de Tencha, feito em pó.
Os Elementos
Os Elementos
Devemos descobrir a importância da influência dos elementos em nossas vidas, pois estes estão presentes em todos os rituais de bruxaria. Quando a forma de entrar em em harmonia com os elementos, aprenderemos a manejar os nossos próprios poderes de acordo com as nossas vontades, nos aproximando assim do nosso "eu interior".
| Gêmeos - libra e aquário | Câncer - Escorpião e Peixes | Áries -- Leão e Sagitário | Touro - Virgem e Capricórnio |
| Bruxa(o) do leste | Bruxa(o) do Oeste | Bruxa(o) do Sul | Bruxa(o) do Norte |
Dom: | Vidência | Telepatia | Telecinesia | Psicometria |
Poder: | intelecto, razão | intuição, emoção | espírito, transformação | físico, criação |
Sentido: | Olfato | paladar | audição | tato |
Estação: | Inverno | primavera | verão | outono |
Animal: | Borboleta | peixe | serpente | gato |
Objeto: | Espada | cálice | cetro | pentáculo |
Naipe: | Espadas | copas | ouros | paus |
Cor: | Amarelo | azul | vermelho | verde |
Elemental: | Silfos | Ondinas | Salamandras | gnomos |
Erva: | Salgueiro, Sálvia, Verbena | Artemísia, Lavanda, Mil-folhas | Alecrim, Angélica, Sorveira | Arruda, Cipreste, Patchuli |
Pedra: | Ametista, Quartzo Rosa, Turmalina | Água-marinha, Lápiz-lazúli, Sodalita | Ágata, Citrino, Opala-de-fogo | Hematita, Ônix, Pirita, Olho-de-tigre |
A água é o elemento da purificação, da mente subconsciente, do amor e todas as emoções. A água é o elemento da absorção e germinação. O subconsciente é simbolizado por este elemento, pois está sempre em movimento, como o mar que nunca descansa quer seja noite ou dia. Direção: Oeste Nome do Vento Oeste: Zephyrus Energia: Receptiva, feminina Signos: Câncer, Escorpião e Peixes Trabalho ritual: Emoções, sentimentos, amor, coragem, ternura, tristeza, intuição, a mente inconsciente, o ventre, geração, fertilidade, plantas, cura, comunicação com o mundo espiritual, purificação, prazer, amizade, casamento, felicidade, sono, sonhos, o psíquico, o eu interior, simpatia, amor, reflexão, marés e correntes da vida, o poder de ousar e purificar as coisas, sabedoria interior, busca da visão, curar a si mesmo, visão interior, segurança, jornadas. Lugares: Lagos, rios, fontes, poços, praias, banheiras, piscinas, chuveiros, cama ( para dormir), spas, o oceano e as marés. Cores: Azul, verde, azul-esverdeado, cinza, índigo, roxo, preto. Formas rituais: Diluir, colocar na água, lavar, banhar-se. Natureza Básica: Purificante, fluente, curadora, suave, amorosa, movimento. Fase da Vida: Maturidade Tipos de magia: Mar, gelo, neve, neblina, espelho, ímã, chuva. Tempo: Anoitecer Estação: Outono – O tempo da colheita, quando a chuva lava a terra. Ferramentas: Cálice, caldeirão, espelho, o mar. Espíritos: Ondinas, ninfas, sereias e fadas dos lagos. Rei: Niksa ou Necksa Sentido: paladar Pedras e Jóias: Água marinha, ametista, turmalina azul, pérola, coral, topázio azul, fluorita azul, lapis lazuli, sodalita. Metais: Mercúrio, prata. Incensos: Mirra, camomila, sândalo. Plantas e árvores: Lótus, samambaia, musgo, arbustos, alga, couve-flor, gardênia, salgueiro. Animais: Dragões, serpentes, golfinhos, focas, todos os peixes, mamíferos marinhos e criaturas marinhas, gato, sapo, tartaruga, lontra, ostra, cisne, caranguejo, urso. Deusas: Afrodite, Ísis, Tiamat, Yemanja. Deuses: Dylan, Osíris, Netuno e Poseidon. É atraído por: Água, soluções, poções.. Instrumentos: Piano, teclados, cravo, sinos. Símbolos: Oceanos, lagos, rios, poços, fontes, chuva, neblina, conchas, água. |
O Ar é o elemento do intelecto, é a realidade do pensamento que é o primeiro passo para a criação. Magicamente falando, o ar é a clara, perfeita e pura visualização que é uma poderosa ferramenta de mudança. Ele é também o movimento, o ímpeto que manda a visualização na direção da concretização. Ele governa os feitiços e rituais que envolvem viagem, instrução, liberdade, obtenção do conhecimento, encontrar itens perdidos, descobrir mentiras e assim por diante. Feitiços envolvendo o ar geralmente incluem o ato de colocar um objeto no ar ou deixar cair um objeto do alto de uma montanha ou outro lugar alto para que o objeto realmente se conecte fisicamente com o elemento. O ar é masculino, seco, expansivo e ativo. É o elemento que se sobressai nos locais de aprendizagem e nos quais ponderamos, pensamos e teorizamos. O ar governa o Leste pois esta é a direção da maior luz, a da luz da sabedoria e conscientização. Sua cor é o amarelo do sol e do céu na aurora. O ar governa a magia dos quatro ventos, de concentração e visualização e a maioria das magias adivinhatórias. Direção: Leste Nome do Vento Leste: Eurus Energia: Projetiva, masculina Signos: Gêmeos, libra e aquário Trabalho ritual: A mente, todo o trabalho mental, intuitivo e psíquico, o conhecimento, aprendizagem abstrata, o vento e a respiração, inspiração, a audição, harmonia, pensamento e crescimento intelectual, viagem, liberdade, revelando a verdade, encontrando coisas perdidas, habilidades psíquicas, instrução, telepatia, memória, a habilidade de saber e entender, conhecer os segredos dos mortos, meditação zen, discussões, começos, iluminação. Lugares: Topos de montanhas e colinas, céus nublados, praias onde se venta muito, torres altas, aeroportos, escolas, bibliotecas, escritórios, agências de viagem. Cores: Branco, amarelo claro, azul claro, tons pastéis. Formas rituais: Sacudir objetos no ar ou pendurá-los ao vento, suspender ferramentas em lugares altos, soprar objetos leves enquanto visualiza energias positivas, deixar que o vento carregue folhas, flores, ervas ou papel picado. Natureza Básica: Movimento, flutuante, fresca, inteligente. O Som é uma manifestação deste elemento. Fase da Vida: Infância Tipos de magia: Adivinhação, concentração, visualização, profecia, magia do vento, karma, velocidade. Tempo: Nascer do sol Estação: Primavera – O tempo do frescor Ferramentas: Incensário, Athame, espada, visualização criativa. Espíritos: Silfos, Zéfiros e fadas que habitam o mundo das árvores, flores, ventos, brisas e montanhas. Rei: Paralda Sentido: Olfato e audição. Pedras e Jóias: Topázio, pedras claras e transparentes, cristais, ametista, alezandrita, pedras azuis e amarelas. Metais: Cobre. Incensos: Olíbano, mirra, alecrim, violeta. Plantas e árvores: Olíbano, mirra, prímula, tamareira, verbena, violeta, alfazema. Animais: Pássaros, especialmente águias e falcões, insetos, aranhas. Deusas: Aradia, Arianrhod, Cardea, Nuit, Urania. Deuses: Enlil, Kheohera, Mercúrio, Thoth . É atraído por: Instrumentos musicais, incensos. Instrumentos: Flautas, todos os instrumentos de sopro. Símbolos: Céu, vento, brisa, nuvens, respiração, vibração, plantas, ervas, flores, árvores. |
O Fogo é o elemento da mudança, vontade e paixão. Em um certo sentido ele contém dentro dele todas as formas de magia, pois a magia é o processo de mudança. A Magia do fogo pode ser assustadora, os resultados se manifestam de forma rápida e espetacular. O fogo não é um elemento para os fracos. Entretanto, é o mais primal e por isso o mais usado. Este é o reino da sexualidade e da paixão. Ele não representa apenas o fogo sagrado do sexo, mas também a faísca de divindade que brilha dentro de nós e de todas as coisas vivas. Ele é, ao mesmo tempo, o mais físico e o mais espiritual dos elementos. Direção: Sul Nome do Vento Sul: Notus Energia: Projetiva, masculina Signos: Áries, Leão e Sagitário Trabalho ritual: Energia, espírito, calor, chama, sangue, vigor, vida, vontade, cura, destruição, purificação, fogueiras, lareiras, velas, sol, erupções, explosões, liberdade, mudança, visão, percepção, visão interior, iluminação, aprendizagem, amor, paixão, sexualidade, autoridade, a vontade de ousar, criatividade, lealdade, força, transformação, proteção, coragem, eu superior, sucesso, refinamento, as artes, evolução, fé, exercícios físicos, consciência corporal, vitalidade, autoconhecimento, poder. Lugares: Desertos, fontes termais, vulcões, fornos, lareiras, quarto de dormir ( devido ao sexo), saunas, campos de atletismo, academias de ginástica. Cores: Vermelho, amarelo, cores do fogo, laranja, dourado. Formas rituais: Queimar, passar na fumaça ou derreter um objeto, erva ou imagem, velas e pequenas fogueiras. Natureza Básica: Purificante, destruidora, limpadora, energética, sexual, forte. Fase da Vida: Juventude Tipos de magia: Vela, tempestade, tempo e estrela. Tempo: Meio-dia. Estação: Verão Ferramentas: Bastão, lamparina ou velas, ervas ou papéis queimados. Espíritos: Salamandras, dragões do fogo, a consciência das chamas. Rei: Djin Sentido: Visão Pedras e Jóias: Opala de fogo, jasper, pedras vulcânicas, cristais de quartzo, rubi, carnélia, rodocrosita, ágata. Metais: Ouro, latão. Incensos: Olíbano, Canela, Junípero. Plantas e árvores: Alho, hibisco, mostarda, urtiga, cebola, pimenta vermelha, canela, plantas espinhentas, buganvílea, cactos, grãos de café, amendoeira em flor. Animais: Dragões, leões, cavalos, cobras, grilos, louva-deus, besouros, abelhas, centopéias, escorpiões, tubarões, fênix, coiotes, raposas. Deusas: Brigid, Vesta, Pele, Héstia. Deuses: Agni, Horus, Hefesto, Vulcano, Prometeu. É atraído por: Velas, incensos, lamparinas, fogo. Instrumentos: Guitarras, todos os instrumentos de corda. Símbolos: Relâmpago, Vulcões, arco-íris, sol, estrelas, larva. |
Este é o elemento ao qual somos mais próximos, já que é nossa casa. A terra não representa necessariamente a Terra física, mas aquela parte da terra que é estável, sólida, da qual dependemos. A Terra é o reino da abundância, prosperidade e riqueza. Ela é o mais físico dos elementos, pois sobre ela todos os três se apóiam. Sem a terra a vida como a conhecemos não existiria. Direção: Norte – O lugar das maiores trevas Nome do Vento Norte: Boreas, Ophion Energia: Receptiva, feminina Signos: Touro, Virgem e Capricórnio Trabalho ritual: O corpo, crescimento, sustentação, ganho material, dinheiro, nascimento, morte, silêncio, rochas, pedras, cristais, jóias, metal, ossos, estruturas, noite, riqueza, tesouros, rendição, força de vontade, toque, empatia, crescimento, mistério, conservação, incorporação, negócios, prosperidade, emprego, estabilidade, sucesso, fertilidade, cura, forças da natureza combinadas, abundância material, runas, sabedoria prática, força física, ensino. Lugares: Cavernas, vales, canyons, florestas, abismos, campos cultivados, fazendas, jardins, parques, cozinhas, creches, porões, minas, buracos, tocas, montanhas. Cores: Negro, marrom,verde. Formas rituais: Enterrar, plantar, fazer imagens de argila ou areia, andar na natureza enquanto visualiza o que se deseja. Natureza Básica: Fértil, úmida, estável. A gravidade é a manifestação desse elemento. Fase da Vida: Velhice. Tipos de magia: Cultivo, ímãs, imagens, estátuas, pedra, árvore, nó, amarração. Tempo: Meia-noite. Estação: Inverno Ferramentas: Pentáculo, pentagrama, imagens, pedras, sal, gemas, árvores, cordas. Espíritos: Gnomos, anões, trolls, os que habitam o interior da terra, a consciência das gemas. Rei: Ghob, Gob ou Ghom. Sentido: Tato Pedras e Jóias: Cristal de rocha, verdes como a esmeralda e o peridoto, ônix, jaspe, azurita, ametista, turmalina, quartzo rutilado.. Metais: Ferro, chumbo. Incensos: Estoraque, benjoim. Plantas e árvores: Confrei, hera, grãos, arroz, trigo, patchouly, vetivert, líques, musgo, nozes, plantas secas ou grandes e frondosas, carvalho, raízes. Animais: Vaca, touro, búfalo, veado, cervo, antílope, cavalo, formiga, esquilo, texugo, urso, lobo. Deusas: Ceres, Deméter, Gaia, Nephtys, Perséfone, Rhea, Rhiannon, Prithivi Deuses: Adonis, Athos, Arawn, Cernunnos, Dionísio, Marduk, Pan, Tammuz.. É atraído por: Sais, pós e pedras. Instrumentos: Baterias, todos os instrumentos de percussão. Símbolos: Rochas, gemas, montanhas, campos planos, solos, cavernas e minas. |
O Corvo - Edgar Allan Poe

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo:
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, de certo me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo
Tão levemente, batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
Meu coração se distraia pesquisando estes sinais.
É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um Corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nenhum momento,
Mas com ar sereno e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho Corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o Corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o Corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento,
Perdido murmurei lento. "Amigos, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais."
Disse o Corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas suas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entorno da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o Corvo, "nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! -
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, e esta noite e este segredo
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!"
Disse o Corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta! -
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida, se no Éden de outra vida,
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o Corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o Corvo, "Nunca mais".
E o Corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda,
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais.
E a minh'alma dessa sombra que no chão há de mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
Poema traduzido por Fernando Pessoa em 1924










